Kerry Pastine: “Uso a minha voz para libertar as emoções e assim não as ter de engolir”,
Kerry Pastine, natural de Denver, e o seu marido e guitarrista Paul Shalooe, formam a banda ‘Kerry Pastine & The Crime Scene’. A artista escreve as suas próprias canções e, além da música, dedica-se à pintura. Em 2019 foi galardoada pela Sociedade de Blues de Colorado, pelo o seu disco ‘City of Love’ e o seu talento trespassou fronteiras. Confessa-se uma apaixonada por Lisboa e por isso é a casa deles desde há um ano. Por circunstâncias da vida, encontraram um professor de música que os convidou para atuarem no aniversário da delegação de Lisboa da ASSP. Foi na Casa Albarraque Costa que deu o melhor de si, e com o seu estilo vintage transportou muitos dos presentes aos seus anos de juventude. Tanto os associados como os amigos da ASSP não conseguiram resistir aos blues e rock ‘n roll de Kerry e dançaram como nunca. Querem conhecer mais sobre a Kerry? Que comece o rock ‘n roll! Por César Fernández
Como defines o teu estilo?
O meu estilo tem sido uma influência durante o percurso da minha vida, pela big band e jump blues. Na minha adolescência interessei-me pelo rock ‘n roll e Pat Benatar. E também pela old fashion western swing music e a música dos anos 50, como Patsy Cline. Depois comecei a explorar outros estilos como a bossa nova e o samba. E comecei a ouvir jazz, surf music e rockabilly. Ou seja, todo um conjunto de sonoridades vintage.
Qual é o teu objetivo principal com a música que fazes?
Adoro encorajar as pessoas a que se sintam bem. Quero que vejam a beleza que têm dentro de si mesmas. Isso é o que transmitem as minhas canções: esse amor para lhes mostrar quem é que elas são. Mas outras vezes dou um “toque de loucura”, que é perfeito para o rock ‘n roll.
Pode dizer-se que música fez de ti uma mulher empoderada?
Absolutamente. Enfrentar os meus medos deu-me a força para ser o suficientemente corajosa e eu devolvo essa coragem ao público para tentarem algo diferente com as suas vidas. De fato, já houve mulheres que se aproximaram de mim para me dizer que as inspirei a experimentar coisas novas, das quais antes tinham medo.
Então, a música tem sido terapêutica para ti?
Com certeza. Uso a minha voz para libertar as emoções e assim não as ter de engolir (ri-se). Isso torna-me uma melhor comunicadora, aprendendo a identificar como estou a sentir-me e isso ajuda-me a ser criativa.
Qual das tuas canções te toca mais?
A que mais me tocou foi ‘Alive in Death Valley’. É uma música que escrevi tomando consciência que, apesar de toda a dor da vida, estou viva e que é bom seguir aqui para continuar a conhecer-me, para que me ouçam e transmitir as minhas emoções.
Como é que te sentes quando vês as pessoas a dançar e a divertirem-se a ouvir a tua música?
Sinto muita alegria. O que me faz mais feliz é ver os outros felizes. A opinião deles é tudo, já que eles me dão a sua energia e amor e lhes dou o mesmo de volta. É um intercâmbio.
O que significa para ti partilhar o teu talento num espaço tão intimista como este espaço da ASSP?
Para mim este foi o momento excelente, porque é como estar em família e podes ser tu mesma. Isso é maravilhoso.
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Miguel Vilhena, voluntário na associação há mais de 15 anos, sentiu-se muito satisfeito com este espetáculo. “Gostei bastante de ver a forma como associados mais antigos, como a Aldina Machado e o Serafim Falcão, se envolveram de forma ativa nas actividades, e dançaram, pois dançaram” - referiu. “E até a Fernanda Trincão não me recusou um pézinho de dança, num rock ‘n roll ao som da Kerry Pastine. Por outro lado, foi com enorme satisfação que tive algumas colegas da Esc. Sec Pedro Nunes em cada um dos dias do evento, bem como outros convidados presentes. E outros já me disseram – em próximos eventos, com exposições e/ou música, quererão participar”.